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Educação ajuda o crescimento e o crescimento também empurra a educação

Ph.D. em economia fala dos desafios da educação num Brasil mais rico

Foto: Divulgação
 
 
Na última década, o Brasil apresentou um crescimento econômico sólido e, com ele, surgiram novas oportunidades e possibilidades. E, claro, novos desafios. Claudio Moura Castro, Ph.D. em economia, articulista da revista Veja e especialista em educação analisa o estado atual da educação no País.

Nos últimos anos, o Brasil cresceu e enriqueceu. Como este avanço se refletiu na educação?

Como sempre acontece, educação ajuda o crescimento e o crescimento também empurra a educação. Mas diante desses efeitos é muito difícil definir causa e efeito, sobretudo, no curto prazo. Mas se tomamos um período de um século, parece razoavelmente claro que a economia puxou a educação, pois teve um crescimento espetacular e a educação veio a reboque. Nos dias que correm, com a complexidade tecnológica e social, é difícil imaginar que a economia vai ter os esteroides que precisaria, para continuar puxando a educação.

Quais os desafios do Brasil nesse setor?

Só há um: qualidade. Ampliar o sistema é fácil e foi feito de forma muito bem sucedida nas últimas décadas. Mas a qualidade é lastimável e falta a dinâmica política para mudar a situação. Isto porque a sociedade acha boa a educação (70% responderam assim nas pesquisas). O povo realmente não acha que é essencial a revolução da qualidade. Nem investem o tempo para acompanhar e apoiar os filhos mais de perto e nem estão dispostos a exigir isso dos políticos e administradores.

O ensino e os estudantes no Brasil são avaliados de maneira eficiente ou existem metodologias melhores? O que você acha do ENEM?

Em um panorama internacional, a avaliação no Brasil não só tem uma enorme cobertura (dos anos iniciais ao doutorado), mas também é tecnicamente competente. SAEB e Prova Brasil são excelentes provas. ENEM está melhorando, mas ainda tem problemas técnicos. O ENADE é razoável e os problemas não estão na qualidade intrínseca das provas. No todo, estamos bem, muito bem. 

Quais os prós e contras na utilização das novas tecnologias na educação?

Com o barateamento da eletrônica e das comunicações, não há contras, do ponto de vista pedagógico e econômico. O problema dramático, que existe em todos os países, é que a sociologia da escola colide com as melhores práticas sugeridas pela tecnologia. Estamos empacados na escola. Mas fora dela, tudo funciona, sobretudo a educação à distância.

Quais os caminhos possíveis para uma real melhora na educação no Brasil?

O caminho é o foco na qualidade e muita força para fazer com que os brasileiros entendam que nossa educação é muito ruim e que é preciso brigar contra isso e, ao mesmo tempo, fazer sua parte em casa.