AeC

Relacionamento com Responsabildade

Notícias

AeC Entrevista

Além dos acordes

Em entrevista, Henrique Portugal do Skank mostra seu lado empreendedor tech

Foto: Divulgação


Henrique Portugal costuma brincar em suas apresentações sobre empreendedorismo digital: “oi, eu sou o Henrique, sou formado em economia, trabalhei muito tempo com T.I., empreendo no setor de tecnologia e, nas horas vagas, toco teclado na minha pequena banda”. A “pequena banda” no caso é um dos maiores nomes do pop rock nacional das últimas décadas, o Skank.
 
Em entrevista exclusiva para o Portal AeC o músico fala do seu lado empreendedor, de inovação, de música e da criação da sua nova plataforma de promoção do empreendedorismo digital. E, claro, da carreira sólida de sua banda. Confira:

As pessoas te conhecem muito por ser o tecladista do Skank. Você está há anos envolvido em projetos de inovação e tecnologia e em outros tipos de empreendimentos. Conte-nos um pouco desse seu lado que os fãs não sabem muito a respeito.
A verdade é que a opção pela música foi uma escolha totalmente pessoal. Sou formado em economia e trabalhei muito tempo com informática. Trabalhei como analista de suportes, com programação pesada de computadores. Chegou a certo ponto, que eu decidi largar tudo para realizar meu sonho de ser músico. No entanto, eu nunca parei de querer entender como giram as coisas em outras áreas de interesse. Invisto em fundos de tecnologia, participo com frequência de rodadas de negócios. Empreender em tecnologia e inovação sempre me interessou muito.
 
Tanto interessa que um dos seus empreendimentos é uma plataforma inovadora de música, a Pleimo.
Sim. Sempre tentei ajudar os artistas independentes. Incluindo música, claro. Meu programa de rádio, o Frente, sempre teve a proposta de ajudar os artistas independentes. Mas percebi que só isso não bastava. Era preciso uma ferramenta que viabilizasse a vida dos artistas, que tornasse possível que eles vivessem de fato de sua arte. Afinal, quando um artista tem que ter outras fontes de renda e não podem se dedicar totalmente às artes, não são só eles que perdem, mas o mundo que se torna menos interessante.
E nessas rodadas de negócio das quais eu participo, surgiu a proposta da Pleimo. Em 2009. Era uma ideia legal, mas não achei que fosse momento. Pensei: é algo para daqui três ou quatro anos. Em 2012, acabei me tornando sócio da Pleimo. É uma plataforma que não serve apenas à música, mas ao empreendedorismo digital.
 
A Pleimo parece oferecer um modelo de negócios mais interessante para artistas monetizarem com a execução dos streamings de suas músicas. Explica um pouco como isso funciona.
O streaming não é uma solução boa para a música, é uma solução boa para o usuário. Toda indústria da música hoje tem que se repensar por conta desse formato. A questão é que ainda não se encontrou um bom modelo de negócio que se adapte à realidade atual e que seja interessante para o artista. Então o que propomos é uma plataforma que possibilite um efetivo empreendedorismo desses artistas. Como? Damos ferramentas para que esses artistas conheçam melhor seus fãs e assim possam pensar em estratégias novas para se comunicarem com eles, criarem eventos e distribuírem suas músicas. Damos suporte para que esses artistas produzam seu merchandising em pequena escala sem que isso tenha alto custo para eles. Além disso, há um diferencial que hoje não existe em nenhuma outra plataforma de streaming: o usuário todo mês pode escolher uma banda ou artista que ficará com 20% do valor de assinatura da plataforma.

Hoje esse é um pensamento que domina qualquer setor que trabalha com inovação: antes de tudo, entender o público com quem sua marca ou empresa - ou banda, no caso – vai se relacionar. Daqui para frente, esse vai ser o segredo do sucesso de marcas, empresas e artistas?
Sim. Não tem esse negócio de doutrinar as pessoas. As pessoas já sabem o que elas querem. Você tem que entender as pessoas. Tem um vídeo de uma campanha de publicidade inglesa que resume essa ideia. Ele mostra várias crianças falando do futuro. E uma delas diz algo muito sábio: “um dia vocês terão que me pagar para saber o que eu quero”. Por exemplo, em plena tarde de sábado, um banco me ligou, o que não é nada agradável. Será que esse banco acha mesmo que essa tentativa de venda nesse momento tão inoportuno terá sucesso? Quer dizer: esse banco não sabe nada sobre o público dele.
 
Já que estamos falando sobre públicos diferentes. Você, com o Skank, ao longo de mais de 20 anos tem se comunicado com plateias de diferentes gerações. Olhando em retrospecto, quais são os pilares dessa carreira sólida e longa?
A primeira coisa é gostar do que faz. A gente vai para o estúdio, fica seis meses gravando disco, dedicamos horas de ensaio, nos preocupamos com cada detalhe. Um diferencial também é que a gente começou de forma independente. Ou seja, fizemos muitas coisas por nós mesmo. Sabíamos como lidar com a fabricação dos CDs, lidávamos com as rádios, entregávamos nossos discos nas lojas etc. Então aprendemos que as coisas não são fáceis: é um ato contínuo e repetitivo.
Com o tempo você acaba vendo os resultados. Por exemplo, em 2014, entre as 100 músicas tocadas no Brasil, à única do gênero pop rock é do Skank.