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Conheça a despersonalização, transtorno que pode criar robôs humanos

Saiba mais sobre o distúrbio que afeta grande parte da população mundial e pode levar uma pessoa a um “deserto emocional”

imagem: reprodução

Você sabia que a despersonalização é, na verdade, um distúrbio? E não um dos raros, mas sim algo que afeta cerca de 1 a cada 100 pessoas do mundo. Ainda pouco compreendido, o transtorno é caracterizado por uma espécie de desconexão dos portadores de seus próprios corpos e do mundo ao redor. Esse “desligamento” também afeta a percepção sobre braços, pernas e outras partes do corpo, que podem parecer distorcidas ou atrofiadas.

Segundo pesquisadores, os sintomas da despersonalização algumas vezes são próximos aos de transtornos psicóticos e da ansiedade. Pessoas afetadas descrevem que se sentem como se fossem robôs, com ausência de sentimentos, sejam eles bons ou ruins.

Relatam ainda que é como se estivessem observando suas vidas através de uma placa de vidro ou de uma névoa densa, quase como um filme. As memórias também perdem a emoção, e muitas vezes o portador se questiona até se elas são reais.

Embora atinja grande parte da população mundial, a despersonalização ainda é pouco conhecida por psicólogos e psiquiatras, portanto não há tratamentos muito estabelecidos. Os estudos realizados em pessoas com o problema detectaram o que parece uma desconexão entre as partes do cérebro que regulam as emoções e as que determinam o pensamento racional.

Tudo indica que isso seja uma espécie de mecanismo de defesa do corpo, uma vez que os casos estão muitas vezes ligados à períodos de traumas (acidentes, por exemplo) ou ansiedade extrema. O uso de entorpecentes como a maconha também pode desencadear episódios de despersonalização.

Se não tratada (o que muitas vezes acontece, pois os profissionais podem não conseguir identificar o problema), a despersonalização pode, em seu pior cenário, levar a pessoa a um  “deserto emocional”. Uma das poucas clínicas especializadas no tratamento do transtorno funciona em Londres, desde 1999, e nos seis primeiros anos de funcionamento atendeu cerca de 500 pessoas. Ou seja, uma fração bastante reduzida de quem sofre com a doença. E você, já sofreu ou conhece alguém que sofre com esse problema?